terça-feira, 9 de outubro de 2007

Amizade





A amizade é um casamento entre almas,e esse casamento é sujeito ao divorcio

(Voltaire)

10 comentários:

elle disse...

por isso deve-se cuidar desse casamento como quem cuida de um tesouro

sem-se-ver disse...

nao podia estar mais em desacordo... porque nao é casamento nenhum, não ha qualquer contrato. essa a diferença entre amizade e amor. mesmo que neste ultimo nao haja o contrato de casamento propriamente dito.

se na amizade houver divorcio, é porque nao era amizade.

a amizade, contrariamete ao amor, é eterna. salvo se - albironi de novo... - houver uma traição, deslealdade ou abandono, ou seja, algo de indesculpável no plano ético, por parte de uma das partes. por isso ele a define como 'forma ética do amor' - porque neste tudo perdoamos, ou quase tudo, incluindo,por exempo, uma traição ou um abandono. pelo contrario, se houver traiçao e abandono numa amizade, isso fere-a no que ela tem de essencial - ie, no que a define - e portanto ela morre. nem há lugar a divorcio. simplesmente a morte.

felizmente, nunca vivi nenhum divorcio (morte) de uma amizade. e já vivi demasiados divorcios (figurativamente) no amor. sei do que falo.

mais do que a desilusão de um amor que afinal nao se cumpriu, ou nao se cumpriu na sua plenitude, ou no qual houve lugar a desencantos, deve-se - concordo com a elle - cuidar da amizade. não tenciono experienciar o fim de uma amizade. imagino que seja uma vivência demasiado dolorosa... desenganarmo-nos quanto a alguém que amámos, enfim, dói e macera, mas é normal e provável. quanto a um amigo, não. é irrecuperável a dor que deixa, o buraco que cria.

essa nao lhe saiu bem (ao voltaite)

elle disse...

cs permita-me,
ssv, penso que neste caso a palavra casamento tem a conotação de união entre duas pessoas, ou almas, como queira.

Pergunto, então o amor não é amizade? E a amizade não é uma forma de amor? Eu não estou é de acordo essa visão apriorística de Alberoni, então o amor não pode ser, ou melhor, não é, na sua essência, ético? Que visão tão, tão... castradora do próprio amor.

Diga-me ssv, quando vê um casal de idosos a passear de mãos dadas (sim, é raro, mas existe), é amor, certo? É amor, sim, ssv, na forma de companheirismo, cumplicidade e respeito, ou seja, AMIZADE.

Outra divergência nossa, reside na minha convicção de que, e remetendo-me aos seus conceitos, entenda-se casamento-amizade, em ambos os casos, existe morte e divórcio, sendo que para existir a primeira, tem que se passar obrigatoriamente pelo segundo e após uma coisa chamada luto.

No fundo, ssv, a nossa visão sobre a matéria, diverge porquanto vc distingue os conceitos e eu os fundo. Mas sim, independentemente de tudo, é preciso cuidar.

Foi um prazer falar consigo.

Cs, desculpe o abuso. É a minha queda por “filósofos”, sorry. :)

Bjocas grandes às duas.







(Ai Voltaire, ficas-me a dever uma…)

cs disse...

elle esteja à vontade

cs disse...

vou ali e já venho

tou tão cansada que n csg responder

desculpem

(claro que vão levar com a Peregrinação muitas vezes)

sem-se-ver disse...

cs,

desc então.

sim, elle, tem sim. essa conotação de 'união'. por essa razão reagi a quente, impressionou-me (mal) a utilização da palavra 'contrato'. mas mais me impressionou (mal) a do trocadilho que, então, possa haver divórcio entre amigos.

elle, desc que lhe diga, mas o que me objectou não foi, não se dirigiu, ao cerne da questão a que eu apelei. a qual é: se uma amizade é ferida de morte na sua essência - por uma atitude imoral, eticamente indesculpável, face ao amigo, pelo outro - nem lugar há a divórcio, mas sim à sua aniquilação. pura e simples. porque a um amigo não perdoamos, nunca perdoamos, uma falha de solidariedade, por exemplo, uma traição, um abandono, porque tais actos não são dignos dele (amigo), nem dela (amizade). por isso disse, e repito: se houver 'divórcio', é porque nem amizade havia.

pelo contrário, em nome do amor, por causa dele, desculpamos, e quantas vezes desculpamos o indesculpável. irracionalmente. porque o amor tudo abarca e tudo permite. e tudo ultrapassa e quer ultrapassar, em nome dele próprio. e estou certissima que vc concorda com isto. pq, infelizmente, imagino que já lhe tenha acontecido. e se nunca lhe aconteceu perdoar algo que eticamente é indesculpável à pessoa amada (uma afronta, uma grosseria, uma traição, uma injustiça), deixe-me que lhe diga que é uma afortunada...

sim, falo de um amor irracional. há quem considere que ele é racional. mas neste particular, afino pela opiniao comum e tendo para Pascal - o coração tem razões que a razão desconhece bla bla.

também por isto, no amor há sim lugar a divórcio e só depois a morte, após o respectivo luto. na amizade, sublinho, só a morte, a aniquilação. e o seu luto, claro está. mas não o divórcio. a irredutibilidade da amizade não admite estádios de passagem.

quanto a tudo o resto, é difícil não concordar consigo, evidentemente: a amizade é uma forma de amor (a mais serena, a mais segura, a mais eterna, a mais incondicional no fundo), não há amor que não seja amizade também. (embora possa haver paixão sem ela).

falo de amor romântico, claro está. aquele que nos envolve todo o ser, e não só parte dele - e por isso, contrariamente à amizade, além do coração envolve o corpo.

ou seja: talvez, quem sabe, a amizade possa ser tão eterna, definitiva e exigente porque o corpo não está envolvido, e o amor possa ser tão cruel, irracional e deslumbrante porque o corpo está envolvido na expressão sexual do afecto. o que é dizer: a eternidade, para acontecer, necessita da planura da emoção, da simples emoção; a fugacidade do amor deve-se aos acidentes de paisagem que cada corpo é nas suas curvas e promontórios. (deu-me gozo esta imagem, confesso).

estamos de acordo num aspecto capital: um como a outra necessitam de cuidados acrescidos. um como a outra são demasiado preciosos. não sei como é em si, mas em mim é simples: quando amo (seja o amor romântico, seja o da amizade), amo para a vida. e por isso nem de de 'cuidar' devo falar, mas sim de 'ser guardiã', nos actos, nas palavras e nos afectos interiores, de ambos.

basicamente, sou um cão (bem, ok, uma cadela) de guarda. bastante eficiente, por sinal. embora nem tudo dependa de mim, claro está. mas se depender, e enquanto depender, 'nunca' dificilmente faz parte do meu vocabulário, e 'sempre', pelo contrário, é que condiz mais comigo.

(e o que praqui vai, querida cs. desculpe...)

cs disse...

continuem s f f

:)

elle disse...

cs,
vc é uma querida, é do best! A MELHOR anfitriã.


ssv,
Estou sem tempo, pelo que lhe responderei mais tarde. Mas reponderei, ok? Aliás, dar-me-á muito prazer.
(me aguarde...)







Oh cs, tá a ver? Sou suicida, né? é o meu lado masoquista... :D

Se achar abuso, diga, ok? A última coisa que quero é abusar da sua boa vontade!

Bjocas às duas

elle disse...

olá cs :)


ssv,
após a reflexão que me mereceu o seu comentário, que o li variadíssimas vezes, para lhe poder responder com a merecida autenticidade, despojada de qualquer tipo de teimosia ou capricho, preciso que me explique a sua noção de divórcio.

aguardo

sem-se-ver disse...

só agora (2f, 9h da manhã e a cambalear de sono) vi o seu repto.

voltarei aqui ainda hoje, claro.

Number of online users in last 3 minutes